Pais de Santo de diversos terreiros localizados na cidade de Picos se reuniram no dia 14 de janeiro na Coordenadoria de Direitos Humanos e Livre Orientação Sexual reivindicando apoio público para realização de atividades pedagógicas e sociais que contemplem a comunidade umbandista na cidade.
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Lana KrisnaJovana Cardoso, Pai Raimundo e Paulo Mafra
A reunião contou com a representação da Secretária de Educação,
Coordenadoria da Juventude, Coordenadoria de Habitação, das Tendas
Estrela Dalva, Padre Cícero, Caboclo Tupinambá, São Jorge Guerreiro,
Santa Bárbara, Povo das Águas, Tendas dos Orixás e São Francisco.
O umbandista Raimundo Vicente de Lima Filho, conhecido como Pai
Raimundo, ressalta que os seguidores da religião querem quebrar o
preconceito e misticismo que gira em torno da Umbanda, mostrando para
sociedade quais são os pilares da religião e obtendo do respeito que
lhes cabe.
“Nós queremos lutar contra o preconceito e pelos direitos da Umbanda na
cidade de Picos, já que as pessoas não conhecem com profundidade a
nossa religião e o afro axé brasileiro. Queremos reunir o poder público
com os irmãos umbandistas para decretar o Dia Municipal da Umbanda e
realizar uma caminhada”, afirma.
Pai Raimundo acrescenta que o grupo religioso sofre com o preconceito
social ao sair caracterizado pela cidade, sendo denominado de “bruxo,
macumbeiro, feiticeiro” e ressalta que a religião é baseada nos pilares
da “paz, amor, caridade e fé”.
Para quebrar o preconceito na cidade, diversas instituições vêm
realizando atividades de inclusão e conhecimento acerca da Umbanda,
entre os protagonistas está o professor Paulo Mafra, responsável pela
Coordenadoria de Diversidade e Inclusão da Secretaria Municipal de
Educação.
“A Umbanda é a religião genuinamente brasileira, ela é disseminada e
bastante conhecida em todo Brasil, porém não tem a visibilidade que lhe é
merecida. Ela consegue incluir a tradição do branco com o cristianismo e
catolicismo, ela também inclui a tradição do negro com o candomblé que é
de origem africana, como também traz as tradições indígenas. Nos
estudos sobre religião nós observamos que a Umbanda não é uma religião
importada, ela existe em todo território brasileiro, pelo fato de não
ter um discurso universalista, mas voltado às raízes, ela se torna de
certa forma marginalizada”, explica.
Giovana Cardoso, Coordenadoria de Direitos Humanos e Livre Orientação
Sexual, ressalta que o Estado é laico e que deve ofertar apoio aos que o
procuram.
“Neste município já há um diálogo da gestão municipal com a Igreja
Católica e Igrejas Evangélicas, e como a gente tem que promover e
garantir a laicidade que a Constituição reza, então nós temos que
dialogar e atender as demandas de todas as religiões e inclusive dos
ateus. O município tem que ser imparcial e apoiar as religiões, os
segmentos sociais e a sociedade civil independente das suas crenças,
promovendo a laicidade”, afirma.
A reunião foi o primeiro passo para integração dos umbandistas da
cidade, na oportunidade foi decido pela realização de um seminário no
dia 14 de fevereiro, seguida da 1ª Caminhada dos Terreiros de Picos.
FONTE;PORTAL O POVO
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