Bolsonaro é contra movimento gay e defende pena de morte
Wilson Dias/27.03.2013/ABr
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), envolvido em várias
polêmicas ao se posicionar contra as lutas de movimentos sociais na
Câmara dos Deputados, quer ser o novo presidente da CDH (Comissão dos
Direitos Humanos). Ele quer substituir o também polêmico deputado Marco
Feliciano (PSC-SP), que assumiu a comissão em março de 2013.
Ele acredita que assumir o colegiado é uma boa forma de ter
“visibilidade” em um ano de eleições, e não teme a pressão de grupos que
se sentem discriminados por ele.
Para Bolsonaro, “quanto mais se fala em direitos humanos, mais a
violência cresce em nosso País” e, por isso, ele vai abrir espaço para
debates que defendem os “seres humanos”.
Em entrevista ao R7, Bolsonaro disse ser a favor da
pena de morte, levantou a bandeira pela redução da maioridade penal e
pela revogação do Estatuto do Desarmamento.
Sobre o movimento negro, Bolsonaro foi categórico: “não quero saber a
cor de pele de ninguém”. E a opinião do deputado sobre o movimento
homossexual também não mudou — continuam sendo “o que há de pior na
sociedade”.
Confira entrevista abaixo:
R7: Como estão as negociações? O senhor está otimista, acha que vai conseguir presidir Comissão de Direitos Humanos?
Jair Bolsonaro: O nosso partido [PP] tem direito a
duas comissões. Tem 90% de chance de uma delas ser a de Direitos
Humanos. O líder do partido fechou comigo. Não sou eu falando com meia
dúzia de deputados, o líder fechou. Até porque, ele sabe que essa
comissão dá visibilidade, é importante, estamos em um ano de eleições. O
partido teria como aparecer bastante em algumas propostas que eu
levaria. O pessoal concorda comigo. Além disso, eu estou no sexto
mandato, está na hora de eu assumir alguma coisa.
R7: E os acordos com os partidos? Não vai ter resistência do PT para abrir mão da CDH?
Bolsonaro: Vai. Mas, de qualquer maneira, o PT já está
se desgastando porque, para pegar a comissão de Direitos Humanos, ele
vai ter que abrir mão de uma comissão importante. E a CDH é uma comissão
que ninguém quer. Ela ganhou visibilidade com o Marco Feliciano
(PSC-SP). Antes, ela sobrava, caia no colo dos partidos, porque sempre
tratou de coisas que a grande maioria da população é contra.
R7: O senhor tem algum projeto em mente, diante de
toda a polêmica do ano passado, quando o deputado Marco Feliciano
assumiu a presidência da CDH?
Bolsonaro: É porque tinha o ativismo gay que imperava
ali. Por exemplo, em 2010, o Chico Alencar (PSOL-RJ) patrocinou uma
emenda de R$ 11 milhões para causa LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e
Transexuais].
R7: E o senhor não concorda com isso?
Bolsonaro: Não! Lógico que não! Com tantas coisas mais importantes para você destinar esse recurso?
R7: O senhor não teme uma reação, como foi com o Marco Feliciano no ano passado?
Bolsonaro: Os homossexuais vão se fazer presentes. Eu
vi agora na internet que a juventude socialista vai fazer uma
manifestação. Mas não é só isso. Já foi em frente na comissão um
seminário LGBT infantil. Isso é uma excrecência. Esses facínoras, que eu
prefiro chamar de marginais, que integravam a comissão naquela época,
deram apoio a um seminário onde você discute se um menino de 11 anos de
idade já é menino ou pode ser menina ainda. E você tem que dar direito e
deixar ele desabrochar sua sexualidade. Isso é uma covardia. E, em cima
disso, vem o material didático. Tudo que, no meu entender, serve para
estimular o homossexualismo.
R7: O senhor está preparado para enfrentar as
manifestações contrárias? No ano passado, o início do ano legislativo
foi conturbado e os protestos impediam inclusive o trabalho da comissão.
Como o senhor pretende agir?
Bolsonaro: Isso aí eu tiro de letra. Não são esses
ativistas gays e de movimentos negros que vão me atrapalhar. Esse
ativismo negro é porque eles têm recurso, porque eles estão bancados em
cima de ONGs [Organizações Não-Governamentais], em cima de recursos
orçamentários para fazer gritaria ali.
R7: E como o senhor se posiciona em relação aos projetos voltados para os negros, como as ações afirmativas?
Bolsonaro: A grande maioria dos negros são contra as
cotas, por exemplo. Eu costumo dizer que naquela comissão, caso eu seja
eleito, vou tirar de letra a causa negra porque enquanto eu for
presidente eu faço questão de dizer que sou daltônico. Todos nós somos
iguais. Não quero saber a cor de pele de ninguém. Todos somos iguais,
cumprindo a Constituição Federal.
R7: E o senhor não teme as pressões?
Bolsonaro: Você está de brincadeira comigo! Eu estou
acostumado a enfrentar a pressão de homem e não de moleque de
manifestação que vai fazer bagunça na Comissão de Direitos Humanos. Isso
aí, pra mim, dá até mais força.
R7: Então, que tipo de proposta o senhor vai defender, se assumir a presidência da CDH?
Bolsonaro: É uma comissão que sempre esteve a serviço
do que há de pior na sociedade, que é o vagabundo presidiário, que está
cheio de direitos, é o drogado, é o homossexual. Eu não vou apoiar
nenhuma política para quem está à margem da lei. Eu quero ouvir, em
debate, familiares de vítimas da violência. Eu pretendo colaborar para
reverberar a necessidade de reduzirmos a maioridade penal. Também
defendo uma política de planejamento familiar, ao contrário do que o
governo prega com a paternidade irresponsável, estimulando as pessoas
sem cultura a terem mais filhos. Eu sei que não é atribuição minha, mas
eu quero ajudar a reverberar a possibilidade de revogar o Estatuto do
Desarmamento. O governo do PT desarmou o cidadão de bem e a vagabundagem
está toda armada por aí.
R7: E quais outras bandeiras o senhor levanta?
Bolsonaro: Eu sei que é cláusula pétrea da
Constituição, mas, se depender de mim, eu vou dar espaço para gente que
vai defender a pena de morte na comissão. Direitos Humanos para seres
humanos. Quem não é ser humano, cadeia. E, se for o caso, a morte. Além
disso, o trabalho forçado para o presidiário, o fim do auxílio-reclusão,
que é uma excrecência. O marginal mata, estupra, vai preso e a família
dele tem amparo. A família do estuprado, da vítima, não tem amparo
nenhum. Não tem cabimento. Quanto mais se fala em direitos humanos, mas a
violência cresce em nosso País.
FONTE R7
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