quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A primeira vez: como é ser o primeiro parceiro gay de alguém?

À insegurança, ansiedade e inexperiência típicas de qualquer iniciação sexual, nos casos homossexuais se unem muitas vezes culpa, indefinição - e falta de com quem se aconselhar

A iniciação sexual é uma fase complicada para qualquer pessoa. Envolve insegurança, ansiedade, inexperiência. Quando se trata de uma relação gay, outros fatores se somam para aumentar a pressão, já que o processo de perder a virgindade acaba se misturando com o de se assumir homossexual. Culpa e indefinição - e muitas vezes segredo sobre a verdadeira situação - são muitas vezes companheiras da primeira vez.
A publicitária Ludmila Maia já esteve algumas vezes na situação de ser a primeira parceira de outra mulher

Sendo assim, o homossexual que tem uma relação com alguém virgem toma parte de um momento importante na vida do outro, que muitas vezes ganha mais peso do que deveria ter. O analista de mídias sociais Eduardo Araujo Silva, 24, já esteve nos dois lados dessa situação.
Aos 15 anos, Eduardo iniciou sua vida sexual com um homem mais velho e acabou criando expectativas que não se confirmaram. “Eu menti, falei que já tinha transado com um homem", conta, lembrando que o parceiro na ocasião não queria nada além de sexo. "Foi bem traumático. Eu achei que a gente ia se amar para sempre."
Quatro anos depois, foi a vez de Eduardo viver a experiência de ser a primeira experiência gay de um parceiro mais jovem, que também se frustrou com a expectativa de começar um relacionamento longo.
“Naquele momento, eu entendi tudo sobre a minha primeira vez. Conversei com o cara e até pedi desculpas. Disse ainda que ele deveria ter me avisado”, lembra ele.
“Quando você está se descobrindo gay, o sexo é uma das maneiras de encontrar sua identidade. Nesta primeira vez, você descobre algo muito bom e isso acaba gerando muitas expectativas, porque você finalmente achou o seu lugar. Mas nem sempre isso significa que você encontrou um namorado ou que vai ter relacionamento com essa pessoa”, analisa Eduardo.
Tendo sido o primeiro homem de três parceiros, o agente de desenvolvimento Iolando Martins , 28, lembra que a virgindade é para muitas pessoas um fetiche. “A inexperiência também é algo que atrai. O cara nunca fez nada, então você acaba criando mil fantasias”, brinca Iolando.
No entanto, ele pondera que a inexperiência também traz complicações. “Apesar do fetiche, é muito difícil. Porque o parceiro não sabe se quer ser passivo ou ativo na relação, nem qual posição será mais confortável para ele”, comenta Iolando
Entre as meninas lésbicas, as questões relativas à inexperiência e à ansiedade também pontuam as relações, como conta a publicitária Ludmila Maia, 27. “É preciso zelo, para não deixar a outra menina nervosa. Você tem que tomar mais conta da situação, ser mais cautelosa e, claro, dar aquela ensinadinha“, brinca Ludmila, que já esteve cinco vezes na situação de ser a primeira parceira de outra mulher.
Nessas situações de iniciação sexual, Ludmila diz que a preocupação principal é ser carinhosa, mas que vez ou outra sua experiência acabou jogando contra. “Quando eu tinha 20 anos, fiquei com uma menina de 19. Viajei para a cidade dela e ficamos na mesma casa três dias. Ela estava a fim, mas acabou não rolando. Depois, descobri que ela achava que eu era muito experiente”, relata a publicitária.
Ludmila aponta que a situação muda quando as meninas são virgens em relações lésbicas, mas já fizeram sexo com homens. Mas que, de qualquer maneira, cada mulher é diferente da outra. “Uma delas ficou mais tranquila porque pelo menos sabia alguma coisa de sexo. Já outra ficou mais apreensiva, porque pensou: ‘Não posso fazer com uma menina o que eu faço com um cara, ai meu Deus, o que eu faço?’”, lembra.
Autor do livro “Os Onze Sexos” (Editora Gente), o psiquiatra e sexólogo Ronaldo Pamplonaaponta outro fator complicador na iniciação sexual de homossexuais: a falta de canais de informação. “De modo um geral, jovens não estão preparados para a primeira vez. A diferença é que os heterossexuais podem encontrar várias fontes de conhecimento como os pais, com outros adultos e educadores. Já o jovem gay dificilmente tem essas opções”, conclui Pamplona.
FONTE: IGAY

Nenhum comentário:

Postar um comentário