Na cidade de Picos cerca de seis casais homossexuais já converteram esta união estável em casamento, no entanto, de maneira discreta e sem publicidade para o fato. Na terceira semana de dezembro deve acontecer na cidade o primeiro casamento gay tornado público através dos meios de comunicação
- Lana KrisnaJovanna Cardoso e Paulo Mafra serão padrinhos do primeiro casamento gay de Picos
Em maio deste ano o Conselho Nacional de Justiça determinou que os cartórios de todo o país efetuassem a habilitação, celebração do casamento civil ou conversão da união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Na cidade de Picos cerca de seis casais homossexuais já converteram esta união estável em casamento, no entanto, de maneira discreta e sem publicidade para o fato. Na terceira semana de dezembro deve acontecer na cidade o primeiro casamento gay tornado público através dos meios de comunicação.
De acordo com Jovanna Cardoso, da Coordenadoria de Direitos Humanos e Livre Orientação Sexual, esta efetivação é um direito conquistado e garantido para a população GLBT e deve motivar outros casais que já vivem em união estável ou que pretendam constituir uma família à também tomarem a iniciativa de oficializar esta união através do casamento civil.
O nome dos noivos não foi divulgado, mas trata-se de um casal de homens que há cinco anos já vive maritalmente, o casamento acontecerá no Fórum de Picos e em seguida haverá uma recepção para os convidados e meios de comunicação cadastrados.
O professor Paulo Mafra, membro da Coordenação de Diversidade e Inclusão da Secretaria Municipal de Educação, afirma que este casamento vem simbolizar os direitos dos cidadãos, independente da sua orientação sexual e que Picos tem avançado bastante neste sentindo, inclusive promovendo debates sobre esta temática no âmbito escolar.
“Mostra uma ampliação da cidade no que diz respeito às pessoas viverem a sua liberdade de exercerem os seus direitos, eu vejo que este casamento vem mostrar um momento de construção, pois será o primeiro casamento de ordem pública, sendo uma etapa na construção social do movimento LGBT”, afirma o professor.
Paulo Mafra acrescenta que de certa forma a população vai se surpreender, mas acredita que o casamento seja visto com bons olhos por não se tratar de um fenômeno que aconteça apenas em Picos, mas que vem acontecendo no mundo.
“É uma nova forma de ver a família, é uma desconstrução daquela família tradicional composta por pai e mãe, mas é também um novo modelo de família, isso implica na aula que o professor dará na sala de aula, na forma como são feitos os atendimentos no serviço social, no atendimento hospitalar, as pessoas de certa forma terão um estranhamento porque vai exigir delas novas formas de tratamento, então quando se perguntar se a pessoa é casada, hoje se pode pensar se ela é casada com homem ou com mulher, então esse casamento é o exemplo de mais uma conquista do movimento LGBT que vai provocar novas formar de tratamento e relacionamento no meio social”, acrescenta.
Jovanna Cardoso afirma que a população LGBT é a que sofre maior exclusão entre as minorias, fato que não inibe a coordenadoria de realizar eventos em busca do cumprimento de direitos que já são garantidos pela justiça.
A líder do movimento acrescenta que foi convidada juntamente com o professor Paulo para apadrinhar o casamento, bem como para fazer deste evento um fato político e histórico para visibilidade positiva da cidade. Os deputados Fábio Novo, Flora Izabel e Iracema Portela também estão entre os padrinhos do casamento.
“Nós não queremos destruir a família de ninguém, nós queremos construir as nossas famílias e esse é um direito que temos. Esta é uma conquista muito grande e algo histórico para a cidade, nós de picos vamos estar em pé de igualdade com todo Brasil onde já foi realizada a cerimônia de casamento entre pessoas do mesmo sexo e reafirmar para toda população LGBT que nós temos o direito e podemos”, afirma.
Jovanna Cardoso acrescenta que não é necessário criar um fato político em torno do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que este casal está fazendo é um ato que visa dar visibilidade às conquistas do movimento e que os demais interessados devem apenas seguir o procedimento padrão de um casamento civil.
“Muitos casais ainda não efetivaram esse casamento por achar que poderiam ser barrados mesmo sabendo que já é algo normalizado pelo Conselho Nacional de Justiça e Supremo Tribunal Federal. Quebrar esta barreira de que não haverá empecilho local vai abrir muitas portas. As pessoas não devem se preocupar com esse ato histórico que vai acontecer em Picos, pois o casal está apenas realizando um direito de cidadãos homossexuais, não é afronta, é um desejo e um direito garantido nas leis brasileiras”, pontua.
Fonte: Portal O Povo
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