Conheçam o trabalho do professor Francisco Wesley Carlos Sales realizado na Escola Nazaré Guerra, sertão do Ceará. O projeto se intitula: Literatura e Diversidade Sexual e é uma iniciativa entre professores, alunos e comunidade. Tem como objetivo promover o debate sobre diversidade sexual e respeito às diferenças na prática escolar.
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Sabemos que esse assunto sempre gera polêmica seja onde for, e na nossa pequena Itatira não seria diferente, mas que também é um tema que está na atualidade, novelas, filmes revistas e internet etc. Então, vimos que esse momento seria muito propício para começarmos um trabalho de conscientização sobre o que vem a ser a Diversidade Sexual. Eu e minha parceira no projeto, professora Luciana Teixeira, tivemos sim receio sobre a aceitação do projeto de como abordar esse tema, ficamos receosos porque algumas pessoas podiam argumentar que estávamos incentivando os nossos alunos a serem gays. Então fizemos a pergunta por onde começar? Vasculhamos nossa biblioteca procurando livros sobre o assunto e não encontramos nada, e agora Luciana? Foi então que resolvemos discutir essas questões no nosso cotidiano escolar. Procuramos técnicas que mostrassem a todos que esse é um tema atual e deve ser tratado no nosso dia- dia. Desde o inicio do ano realizamos uma série de oficinas de conscientização nas salas de aula atingindo mais de 150 pessoas entre alunos e professores. A partir dessas oficinas as nossas ações foram sendo mais compreendidas e começaram a entender que o assunto é de fundamental importância para conviver com a diferença do outro.
2- Você é professor de Matemática, por que este viés da Literatura como catalisador para permear o assunto da diversidade?
Sim, sou Licenciado em Matemática, mas atualmente estou como professor coordenador do centro de multimeios da escola Nazaré Guerra (no município de Itratira), portanto sou responsável pela a leitura dos alunos e professores. Nossa intenção foi de unir o útil ao agradável, vendo que um dos locais onde acontecem mais preconceito é no ambiente escolar. Mais um grande motivo pelo o qual tive essa iniciativa foi o preconceito vivido pelos os LGBTT, durante toda sua vida. Onde faço parte desta estatística, quando na infância sofria com o preconceito de amigos e colegas de escola, onde os vizinhos não deixavam seus filhos brincar comigo, e até me chamavam de apelidos pejorativos, senti desde criança na pele como é difícil está neste grupo e continuo sentindo. Ainda sofremos sim, mas devido à falta de informação, então vejo que o nosso projeto tem um grande futuro e não vamos para por aqui, e sim conscientizar nossa comunidade escolar que todos merecem respeito. Não queremos dar uma solução para o problema, mas sim conscientizar por meio da leitura fazendo com que outros não passem pelo que eu passei. Nosso objetivo é que a comunidade tenha consciência que o diferente merece respeito, e que respeitar as diferenças não é querer ser igual. Hoje me sinto honrador em ser referência na luta contra o preconceito e a homofobia no sertão central cearense nas escolas do estado do Ceará. Nossa luta não pode parar!
3- Como você vê as práticas pedagógicas dentro de sala de aula hodiernamente?
Abordar o tema diversidade sexual na escola, ainda é um assunto delicado, pois muitos acreditam ser um incentivo para os alunos a se tornarem gays. No entanto, sabemos que é algo particular do ser humano e ao serem trabalhado no ambiente escolar, algumas resistências foram encontradas, já que esbarram em tabus, valores morais e religiosos que estão enraizadas em nossa cultura. No entanto, baseado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que a partir de 1998 aponta a orientação sexual como um tema a ser trabalhado formalmente nas escolas sugere que este tema seja trabalhado na educação básica de forma transversal, e pensando nisso passamos a desenvolver ações que fosse ao encontro desta ideia, tendo como objetivo, promover reflexões e discussões a fim de sistematizar a ação pedagógica da escola, sobre questões voltadas a sexualidade, visando também combater o preconceito no ambiente escolar. Hoje percebemos que as práticas em nossa escola caminham sob uma nova ótica, pois é possível perceber uma nova visão a respeito de como se trabalhar, já que mediante o nosso trabalho, esta ação não ficou mais tão distante, ficou algo próximo, concreto e totalmente possível de ser trabalhado.
4-Como começou este projeto de trabalhar diversidade sexual dentro de um ambiente escolar tão sexista, machista, às vezes misógino e homofóbico que é a escola tradicional?
Estava com dois anos que eu queria dar inicio a um projeto com essa temática dentro da nossa escola, mas sempre com medo e receio sobre o que os outros iriam falar colegas de trabalho sempre dizendo “cuidado Wesley esse tema é muito polêmico” e eu continuando com esse pensamento, mas fui em frente e hoje toda a escola e a comunidade estão cientes do objetivo do projeto, viram também que trabalhar esse tema não é nem um bicho de sete cabeças, o que fazemos e queremos é uma conscientização usando a grande arma do conhecimento, a leitura.
Roberto:5- Como era sua prática pedagógica dentro da sala de aula antes deste projeto? Você teve preocupação original com isso, ou alguma situação o despertou, sensibilizou-o para isto?
Bem, atualmente não estou em sala de aula, mas sou professor e sei que o nosso projeto é capaz de transformar, e fazer com que as aulas se tornem mais dinâmicas e participativas fazendo com que os alunos possam expressar suas opiniões, mas o que me despertou de verdade para a elaboração desta ação realmente foi ter sofrido com esse preconceito na minha infância, é muito duro passar por esta situação. Quero que futuramente ninguém mais sofra por preconceito seja ele qual for.
5- Vi que você cita o trabalho do professor Junior Diniz de Contagem-MG, o projeto ultrapassou os muros da sua escola?
Com certeza, fechamos uma parceria com a secretaria de Educação do nosso município vamos poder levar nossas ideias e iniciativas para todas as escolas da região, para que as mesmas façam a adesão ao projeto e possamos conscientizar e sensibilizar os nossos alunos desde as séries iniciais do nosso município, chegando assim na nossa escola já consciente do trabalho que a Escola Nazaré Guerra desenvolve no combate ao bullyng Homofóbico. Estamos em uma caminhada que esperamos ser vitoriosos, já passamos pela a etapa escolar e pela Regional agora estamos prestes a participar da Estadual que dá uma vaga para a feira Internacional de projetos escolares e queremos essa vaga, mas você pode ver também matérias que saiu na pagina do G1 da GLOBO, e uma reportagem na TV Diário aqui do Ceará, mostrando as ações do nosso projeto.
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6- Quais são suas expectativas para com o projeto agora?
Temos certeza que estamos no caminho certo, é o que ele vem nos mostrando, devido o apoio e aceitação que estamos recebendo por toda comunidade, esperamos também fechar mais parcerias como a que já temos com a Editora Escândalo e a Prefeitura municipal de Itatira e que tenhamos nosso trabalho reconhecido nacionalmente como uma grande iniciativa de combate ao preconceito e descriminação a Orientação sexual. Queremos ganhar o mundo, com essa iniciativa. Contamos com a ajuda de todos rumo a quebra do preconceito.
Lagoa do Mato, Itatira Ceará, 03 de Dezembro 2013
Lagoa do Mato, Itatira Ceará, 03 de Dezembro 2013
Acompanhe o projeto no facebook: https://www.facebook.com/diversidadeng
Roberto Muniz Dias é romancista, contista, poeta, artista plástico e mestre em Literatura pela UNB (Universidade de Brasília). Os textos desse escritor piauiense, de Teresina, são intensos, dramáticos e cheios de vaivens atemporais. De uma tal profundidade de sentimentos que arrebatam o leitor já nas primeiras linhas.
Também formado em Direito, integra a Comissão de Tolerância e Diversidade Sexual da 93ª Subseção de Pinheiros da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional São Paulo. Foi premiado pela Fundação Monsenhor Chaves com menção honrosa pela obra “Adeus Aleto”. Publicou ainda “Um Buquê Improvisado”, “O Príncipe - O Mocinho ou o Herói podem ser Gays” e recentemente lançou seu livro de contos: Errorragia: contos, crônicas e inseguranças.
Fonte: Mix Brasil
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