A governadora do Estado do Arizona, Jan Brewer, vetou nesta
quarta-feira (27) a lei que permite aos empresários recorrer às suas
crenças religiosas para negar serviços aos homossexuais.
Em um
discurso na sede de seu escritório, Brewer justificou o veto ao afirmar
que a lei aprovada pela câmara legislativa, de maioria republicana,
poderia ter "consequências não desejadas" para o estado do Arizona.
A governadora afirmou que entre seus objetivos sempre esteve proteger a
liberdade religiosa, mas também evitar "a discriminação" das pessoas.
"A liberdade religiosa é um tema central americano e um valor no
Arizona, como é a não discriminação", assegurou Brewer, que se mostrou
convencida que a lei tinha "o potencial de criar mais problemas dos que
pretende resolver".
O casamento gay é legal em 17 Estados do país.
Segundo sua opinião, a norma aprovada pela câmara legislativa "poderia
dividir o Arizona de formas que nem sequer podemos imaginar".
Nos últimos dias mais de 80 grandes empresas do país, como Apple e
American Airlines, tinham protestado pela polêmica lei, contra a qual
também se pronunciaram a Casa Branca e o secretário de Estado, John
Kerry.
A iniciativa, aprovada na quinta-feira passada pela
assembleia legislativa permitiria aos donos de estabelecimentos
comerciais se negar a prestar serviço aos homossexuais, com a
justificativa das crenças religiosas.
Líderes políticos,
empresas e associações profissionais reforçaram nesta quarta-feira os
protestos contra a lei do Arizona e mostraram sua confiança de que a
governadora vetaria a proposta.
Também hoje a governadora
republicana se reuniu a portas fechadas com os grupos que apoiam a
proposta, que defenderam que o único propósito é proteger a liberdade de
culto.
Por sua vez, o secretário de Estado, John Kerry,
mostrou confiança que Brewer vetaria a polêmica proposta, mas, antes do
anúncio do veto, advertiu que a lei seria declarada inconstitucional se
chegar à Suprema Corte.
O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney,
em sua entrevista coletiva da terça-feira, lembrou que o presidente
Obama defende "a igualdade para os americanos da comunidade LGBT, e
acredita que todos os cidadãos, sem importar a orientação sexual ou
identidade de gênero, deveriam ser tratados de forma igual, com
dignidade e respeito".
Além disso, 83 grandes corporações,
entre elas a Apple e a American Airlines, já haviam protestado contra o
projeto e comerciantes e representantes das diferentes câmaras de
comércio do estado advertiram sobre as repercussões econômicas que a lei
teria.
Caso fosse implementada, a medida poderia pôr em perigo
inclusive a disputa do Super Bowl, programado para 2015 no Arizona, um
evento que geraria centenas de milhões de dólares para a economia do
estado.
Em 1993 a NFL decidiu cancelar este evento no Arizona
porque os eleitores do estado não aprovaram um feriado em homenagem ao
ativista negro Martin Luther King Jr.
Como advertência, a NFL
emitiu um comunicado ontem indicando que suas políticas "enfatizam a
tolerância e proíbem a discriminação baseada em raça, sexo, religião,
orientação sexual ou qualquer outro padrão".
Em 2010, com a
assinatura de Brewer, o Arizona transformou em lei a SB1070, a primeira
legislação estadual que criminaliza a presença de imigrantes ilegais.
A legislação não só colocou o estado do Arizona no epicentro do debate
migratório, mas também como alvo de um boicote econômico que, de acordo
com análises econômicas, teve um impacto de US$ 140 milhões.
FONTE::UOL
Nenhum comentário:
Postar um comentário