Durante o carnaval, os turistas deixaram na cidade R$ 1,5 bilhão, de acordo com dados da Riotur, e o público LGBT que visitou o Rio no período contribuiu com 30,75% desse total. O dado faz parte de uma pesquisa inédita, divulgada na tarde desta quarta-feira pela Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual e pela Riotur, no Palácio da Cidade. O estudo revela ainda que, entre os 614 gays entrevistados, 30% já visitaram a cidade onze ou mais vezes. A pesquisa, em parceria com o Observatório do Turismo da Faculdade de Turismo e Hotelaria da Universidade Federal Fluminense (UFF), foi realizada durante os dias de carnaval em diversos pontos de concentração de público LGBT na Zona Sul. O objetivo foi traçar o perfil e o impacto econômico do turista LGBT nesta época do ano.
Entre os entrevistados, 86% são do sexo masculino; com idade média de 26 anos e apenas 18,8% de estrangeiros. A maioria (32%) mora em São Paulo e do total 86% têm o ensino superior completo, com renda familiar média de 8,7 salários mínimos.
— A renda parece não ser uma preocupação para esse grupo. Muitos disseram que iriam gastar o quanto quisessem — contou o professor Osíres Marques, do Observatório do Turismo da UFF.
Do total de entrevistados, 60% utilizaram o avião para chegar à cidade, mas apenas 16,3% se hospedaram em hotéis. A maioria (46%) ficou em casa de parentes ou amigos. Em média, os entrevistados já visitaram o Rio sete vezes, mas 30% já vieram onze ou mais vezes.
— Já podemos dizer que o Rio é um destino consolidado. E se renova porque 20% dos entrevistados vieram uma ou duas vezes ao Rio — observou Osíres.
Quando perguntados do porquê da escolha do Rio como destino, 42% responderam que a cidade é um destino gay amigável. Já 93,6% afirmaram que recomendariam o carnaval carioca. Além disso, 94,6% disseram que pretendem retornar à cidade.
Da renda total de R$ 1,5 bilhão gerada pelos 918 mil turistas que visitaram o Rio durante o carnaval, 30,75% (um terço) da receita veio do turismo LGBT, que representou 15% do total de turistas. Considerando que o gasto médio do turista heterossexual é de R$ 198,00, o consumo do publico entrevistado foi superior a 50% no caso do turista nacional e 270% no caso do turista internacional. Para Carlos Tufvesson, da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual, o dado foi surpreendente.
— É um dado muito mais relevante para a iniciativa privada. O turista LGBT no mundo é muito disputado por todos os destinos, por ser um turista que gasta mais. Por uma série de circunstâncias. Normalmente, não tem filhos e viaja mais. A gente sempre soube que tinha esse gasto maior, mas não esperávamos tanto — disse.
Na avaliação do coordenador, o Rio é considerado um destino amigável muito mais pelo público carioca:
— Hoje, junto com Tel Aviv, Londres, Nova York, nós temos uma liderança já fixa. Na verdade, pessoas que vêm 12 vezes porque o Rio tem alguma paixão. Lagoas, praias, florestas em perímetro urbano. O turista dá mais valor a isso do que a gente que vive isso diariamente.
No universo entrevistado, a nota dada ao Rio foi 3,9, considerando a máxima 5 (ótimo) e a mínima 1 (péssimo). A queixa mais recorrente, segundo os pesquisadores, foi em relação ao transporte, com destaque aos taxistas. O preço alto e a limpeza urbana também foram apontados como problemas. Entre as melhores avaliações, ficaram os meios de hospedagem e a hospitalidade dos cariocas.
O subsecretário Especial de Turismo, Philipe Campello, destacou que o turismo LGBT já é uma das maiores atividades econômicas do Rio:
— Representa de 10% a 20% da nossa fatia de mercado em termos de retorno financeiro. Eles consomem bem e gostam de produtos de alta qualidade — destacou
De acordo com o subsecretário, com os dados da pesquisa em mãos, a ideia agora é dar continuidade à campanha internacional "Come to live the Rio sensation" (Venha viver a sensação do Rio), lançada em 2011 em parceria com a Associação Brasileira de Turismos para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat).
— E cada vez mais criar novos operadores e falar diretamente com os turistas que o Rio é receptivo para o público LGBT. Temos leis e uma coordenadoria especial para cuidar do assunto. Isso também dá uma garantia maior para eles — acredita.
Fonte: O Globo
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