Diante do iminente arquivamento do projeto de lei de criminalização
da homofobia, o PLC 122, no Senado, uma nova proposta foi apresentada
para atender esta demanda e garantir os diretos dos homossexuais no
Brasil. De autoria da deputada federal Maria do Rosário, (PT-RS), o
texto é mais abrangente e tem o apoio da presidenta da República, Dilma
Rousseff.
O PL 7582/2014 foi protocolado em maio de 2014, e está em tramitação
na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Mais do que
combater a homofobia, a proposta cria agravantes para crimes de ódio,
preconceito e intolerância.
O novo texto foi apresentado após a forte resistência sofrida pelo
PLC 122 por parte de grupos conservadores, o que acabou por inviabilizar
a aprovação do texto no Senado.
O projeto, agora, conta com a anuência do Palácio do Planalto.
Segunda a deputada Maria do Rosário, Dilma está a favor do projeto
apresentado e demonstra total apoio ao tema. “A presidenta sempre se
posicionou favorável a responsabilização dos crimes homofóbicos e nos
deu o aval para seguir lutando por essa bandeira”, declara.
“Nos últimos meses, ficou evidente a força política dessa comunidade,
o reforço dos motivos dessa luta, que tem o apoio da presidenta”,
confirma Maria do Rosário.
O tema, aliás, figurou no discurso de posse do segundo mandato da
presidenta Dilma, quando defendeu a construção de um Brasil igualitário.
“Um país onde todas as pessoas podem ter os mesmos direitos: à
liberdade de informação e de opinião, à cultura, ao consumo, à
dignidade, à igualdade independente de raça, credo, gênero ou
sexualidade”, disse Dilma.
Por ser considerado mais abrangente, a deputada acredita que o
projeto encontrará menos dificuldade para ser aprovado. “Estamos mais
protegidos das manobras que acontecem no Congresso”, afirma.
O texto cria agravantes para atos de violência cometidos por
discriminação devido à “orientação sexual, identidade de gênero, classe,
origem social, idade, religião, deficiência, situação de rua, condição
de migrante, refugiado ou pessoas deslocadas de sua região por
catástrofes e conflitos”.
Na avalição da parlamentar, o projeto interessa a vários setores.
“Estamos mostrando que ao mesmo tempo que uma lei se posiciona a favor
da vida e conta a violência, ela se posiciona também contra a
intolerância religiosa, a discriminação por origem social ou
geográfica”, justifica.
Sobre a defesa dos direitos LGBT, a deputada afirma ser um setor que
sofre um grande “abandono legal”. “Esses crimes de motivação homofobia
não tem hoje a devida atenção. A aprovação de uma lei como essa colocará
o tratamento sobre essa violência em outro patamar e terá um forte
impacto cultural”, defende a autora.
Resistência – Para Maria do Rosário, o Brasil vive
uma onda conservadora “perigosa”, de desrespeito e interferência no
ambiente particular dos cidadãos, cujo único “antídoto” é fortalecer os
segmentos da sociedade que defendem direitos. “É onde entra o Congresso
Nacional, que tem dar ouvidos a opinião de uma sociedade mais
progressista”.
“Quem pensa diferente não pode cercear o direito de ninguém. Pelo
contrário, qualquer religião ou crença que defenda o seu livre exercício
deve ser a favor dessa matéria, que inclui entre os crimes de ódio a
intolerância religiosa”, justifica.
O projeto surgiu de discussões com a comunidade LGBT e outros
setores, e da experiência de Maria do Rosário à frente da Secretaria de
Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). Balanço feito
pela pasta demonstrou uma média de 27 atos de violência cometidos por
motivação homofobia por dia, em 2012.
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