terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Yaoi: Quadrinhos e animações japonesas com temática homossexual

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Yaoi é um termo usado indiscriminadamente pelo fandom ocidental, principalmente para o gênero japonês chamado “Boy’s Love”. Discutir o que seria yaoi é complicado, já que varia de significado dependendo do país e o quão fanático se é em relação à cultura japonesa.

Originalmente significava “yama nashi, ochi nashi, imi nashi” (sem clímax, sem resolução, sem significado) e se tratava de um termo pejorativo que descrevia produções, em geral doujinshis, curtas retratando alguma fantasia, como Vegeta e Goku se pegando. Embora não tivesse que ser gay, havia uma grande quantidade que era, começando assim a se confundir, chegando a ganhar uma nova frase “yamete, oshiri ga itai” (literalmente: pare, minha bunda doí). Assim no Japão aquelas adaptações com personagens conhecidos se pegando são chamados de Yaoi.

Ao chegar no ocidente, o termo yaoi acabou ganhando destaque e, por causa de falta de conhecimento, acabou sendo atribuído a torto e a direito a gêneros diferentes e com características próprias. Dentre esses englobados sob o nome yaoi está o Boy’s Love e o Men’s Love.

Boy’s Love é filho do “shoujo”, no começo era o que se chamava de shounen-ai e não se tratava exatamente de um gênero, mas um tema, eram obras com amor entre garotos (shounen, garoto, e ai, amor). Mas, exatamente por ser shoujo (voltado para garotas), não era admissível fazer um mangá inteiro de dois meninos se pegando, se tratava de relações idealizadas e inocentes, às vezes muito disfarçadas no meio de uma história principal (a la o romance de Yukito e Toya em Card Captor Sakura, se é que dá para chamar de “romance”).

Com o tempo, porém, esse estilo foi ganhando mais fãs e rapidamente foi se desenvolvendo para um nicho 100% diferente. Nas páginas de revistas joseis (mulheres maduras) o estilo se desenvolveu até o que chamamos de Boy’s Love ou BL. Mais do que o mero romance entre dois homens, o BL é uma marca e consequência social de uma desigualdade sexual que acabou tomando enormes proporções.

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Como dito acima, BL é josei, ou seja, é feito para mulheres heterossexuais, não é mangá de gay (embora nada impeça eles de ler). Não é simplesmente uma história com protagonistas gays, é muito, muito mais.

Todo BL é uma grande metáfora, o casal representa ideais femininos japoneses – o Uke representa a mulher: delicada, insegura, inocente, submissa e o Seme o homem: forte, corajoso, decidido, alto, agressivo, frio, mas sedutor e carinhoso ao mesmo tempo. A grande diferença do Uke e da mulher japonesa (fora o sexo) é que o Uke não está preso às correntes sociais japonesa, já que ele é homem. O Uke não precisa ter vergonha de sua sexualidade, o Uke não precisa baixar a cabeça, aceitar ordens do marido, ser obediente, o Uke pode gritar e exigir, se rebelar e fugir, ele pode gozar e gostar de sexo, de quebra ninguém chama o Uke de vagabunda por ter feito sexo antes do casamento.

Na verdade, o nome “Boy’s Love” vem exatamente do fato de o Uke e o Seme não serem “homens” de verdade, é uma relação inocente, ingênua, idealiza, de “criança”, de “menino”, é amor de menino, é Boy’s Love. A própria aparência dos personagens reforça o nome, achar um protagonista barbudo, com peito peludo, pernas cabeludas, barriga de chope e cara de tiozão é absolutamente impossível.

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Por outro lado, o “Men’s Love” é de verdade um fetiche masculino, não feminino. O Men’s Love é bem mais raro e difícil de se encontrar, não por preconceito ocidental, mas o próprio preconceito oriental onde ser gay é complicado.

Também chamado de Gei-Comi (Gay Comic) ou Gay Mangá ou ainda Bara (literalmente Rosa, a flor) no ocidente, o ML é uma relação realista entre homens, entre gays de verdade, é feito para o público gay e faz parte da cultura gay japonesa. Aqui você vai ver menos essa rotulação de gay sendo jovens magros e depilados com cara de bebê, de que existe a “mulher” e o “homem” dentro da relação, que alguém é sempre passivo e alguém sempre ativo, aparecem os preservativos, lubrificantes, brinquedos… Ou seja a desmitificação do que é ser gay dos yaois.

Assim como o BL, seu público leitor também se desenvolveu e atualmente as leitoras são chamadas de Fujoshi – um jogo de palavras pejorativo que significa mulher podre – e os leitores de Fudanshi ou Fukei – também com significado de rapaz podre.

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No ocidente, onde o feminismo é mais forte, existe uma enorme resistência ao Yaoi. Aqui as mulheres tem mais “poder” e se impõe mais – embora tenhamos também nossas mulheres de malandro – logo grande parte do que representa um BL não é apreciado ou sequer compreendido.

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O yaoi acaba realmente virando um fetiche de gostar de ver homens se pegando, independente da sexualidade desses indivíduos, ou seja uma fantasia. Fantasia essa que cada vez mais está presente nas obras do mundo todo, com fãs indo à loucura ao ver atores se beijando em certos seriados ou filmes. Embora, ainda hoje, exista uma forte pressão social de que mulher não pode ter fetiches, fantasias ou ver pornografia – o que convenhamos não ajuda o pobre yaoi.

No fundo as Fujoshi ocidentais são mulheres orgulhosas que sabem o que quer e não têm vergonha de suas fantasias e fetiches. E por que deveriam? Os homens falam abertamente sobre o fetiche de ver mulheres se pegando e beijando há décadas!


Adaptado de Anime Pró

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