Grupo de Pais de Homossexuais de Sorocaba chega a sua 11ª
edição com alterações. Objetivo é ser feliz Fernanda
Ikedo/ Especial para o BOM DIA
Assis Cavalcante/Ag. Bom Dia Grupo reunido no encontro de
terça no auditório da Secretaria da Cidadania
O que muda para um pai ou uma mãe
descobrir que seu filho ou filha é homossexual? Para muitos, pode ser o início
de uma guerra. Para tentar apaziguar corações e mentes e gerar boas reflexões
sobre o assunto surgiu em Sorocaba o GPH (Grupo de Pais de Homossexuais).
Inspirado pela iniciativa da psicóloga Edith Modesto, 76
anos, fundadora e presidente da ONG Grupo de Pais de Homossexuais e
pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo), o grupo em Sorocaba, promove
encontros mensais, realizados no auditório da Secretaria da Cidadania, sempre
às terças-feiras, às 19h30.
Até janeiro, esses encontros eram divididos em duas
sessões, às 19h e às 20h30, um para os jovens e outro para os pais. Mas desde
terça, passou a ser simultâneo.
Outra novidade é que a psicóloga Edith Modesto, que
participou das reuniões até o 10º encontro, passou a bola para os pais
coordenarem as discussões. A coordenadora do GPH, Larissa Gallep, diz que um
grupo de pais fez curso com a Edith para serem multiplicadores e promoverem as
discussões.
Entre eles, está Jorge, 60, que prefere não ser
identificado para que sua filha não sofra preconceitos. Ele é casado e tem duas
filhas. As duas são casadas. Uma com um homem e a outra com uma mulher. No
encontro de terça (18), Jorge contou sua experiência em casa quando descobriu
homossexualidade da filha.
“Os jovens devem entender os pais, porque precisamos de um
tempo”, afirma Jorge que teve uma mudança brusca no comportamento com a
filha.
“As duas jogavam futebol e traziam as amigas para casa,
fazíamos churrasco sempre e nunca tive preconceito com as meninas que namoravam
meninas, mas quando descobri que minha filha era homossexual falei que iríamos
até a Parada Gay para defender a causa, mas queria que deixasse disso”, conta.
Jorge e a mulher sofreram muito, da mesma forma, a filha,
que até saiu da casa dos pais. Hoje estão todos felizes. Jorge compartilhou sua
felicidade com outros pais.
No primeiro impacto após a notícia, busca é pela ‘cura gay’
Quando o filho de S., 52 anos, contou a ela e ao marido que
era gay, tinha 14 anos de idade. A revelação causou um susto grande no pai. “Eu
já desconfiava e fui o ajudando a contar”, diz.
Mesmo inconformado o pai começou a procurar ajuda e
orientação pela internet e descobriu o grupo virtual da psicóloga Edith
Modesto. Depois, soube do GPH.
Diferente de S. e seu marido, a maioria dos pais que vão
pela primeira vez ao encontro buscam a “cura gay” para o filho. Eles tentam se
informar se não tem jeito de reverter a situação. Alguns não voltam mais,
outros começam a compreender e aceitar que não há diferença entre um casal
hétero ou homossexual. Deixando assim, de sofrer.
Para o estudante Henrique Santana, 18, todo cuidado é
necessário. Ele assumiu sua orientação sexual depois de participar do primeiro
encontro do GPH. “Minha mãe é muito minha companheira e ela sempre diz para não
dar bandeira na rua porque, realmente, há pessoas preconceituosas e violentas”,
diz.
FONTE:ATHOS LGBT

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