sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Uganda perde empréstimo para saúde no valor de US$ 90 milhões por lei antigay



Gay é queimado vivo na Uganda



O Banco Mundial negou nesta quinta-feira (27) um empréstimo no valor de US$ 90 milhões para a Uganda, três dias após o presidente Yoweri Museveni assinar uma controversa lei que transforma a homossexualidade em crime, em uma reprimenda incomum para uma instituição financeira --que, normalmente, não interfere na soberania política dos países.

Em 2013, a causa gay avançou muito no Brasil e no mundo, com a aprovação do casamento de pessoas do mesmo sexo em vários países e até o arquivamento do projeto de lei da chamada "cura gay" no Brasil. Mas também enfrentou muitos desafios, entre eles a eleição do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da CDH (Comissão de Direitos Humanos e Minorias) da Câmara dos Deputados e o aumento de crimes homofóbicos. Clique na seta à direita para ver os avanços e na seta à esquerda para conhecer os retrocessos da luta dos homossexuais.

O montante do empréstimo seria destinado a melhorias no sistema de saúde da Uganda. Em nota, o banco confirma a negativa: "Decidimos postergar o projeto, que será reavaliado futuramente, com o intuito de assegurar que seus objetivos não serão afetados pela promulgação da nova lei".

Este é o quarto corte substancial que o país sofre de segunda-feira (24) --quando a lei foi assinada-- para cá. Antes disso, a Holanda, a Noruega e a Dinamarca também negaram oferta de ajuda.

Além de negativas, o país tem recebido respostas duras da comunidade internacional. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediram que a Uganda revogue a lei.

Já os EUA, na figura do secretário de Estado John Kerry, compararam a lei que criminaliza as relações homossexuais com as políticas antissemitas da década de 1930 da Alemanha nazista e a segregação racial do "apartheid" imposta pela minoria branca na África do Sul até 1990. Mais do que isso, os americanos informaram que irão rever o trato com a Uganda.

"O enfoque dessa legislação poderia ser mudado para judeu, ou negro, e poderia estar na Alemanha de 1930, ou na década de 1950-60 do Apartheid da África do Sul", disse Kerry para um grupo de jornalistas em Washington, e classificou a atitude do presidente ao assinar o projeto como "imoral". (Com agências internacionais).

FONTE: UOL

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