O Banco Mundial negou nesta quinta-feira (27) um empréstimo no valor de
US$ 90 milhões para a Uganda, três dias após o presidente Yoweri
Museveni assinar uma controversa lei que transforma a homossexualidade
em crime, em uma reprimenda incomum para uma instituição financeira
--que, normalmente, não interfere na soberania política dos países.
Em
2013, a causa gay avançou muito no Brasil e no mundo, com a aprovação
do casamento de pessoas do mesmo sexo em vários países e até o
arquivamento do projeto de lei da chamada "cura gay" no Brasil. Mas
também enfrentou muitos desafios, entre eles a eleição do pastor Marco
Feliciano (PSC-SP) para a presidência da CDH (Comissão de Direitos
Humanos e Minorias) da Câmara dos Deputados e o aumento de crimes
homofóbicos. Clique na seta à direita para ver os avanços e na seta à
esquerda para conhecer os retrocessos da luta dos homossexuais.
O montante do empréstimo seria destinado a melhorias no sistema de
saúde da Uganda. Em nota, o banco confirma a negativa: "Decidimos
postergar o projeto, que será reavaliado futuramente, com o intuito de
assegurar que seus objetivos não serão afetados pela promulgação da nova
lei".
Este é o quarto corte substancial que o país sofre de segunda-feira (24) --quando a lei foi assinada-- para cá. Antes disso, a Holanda, a Noruega e a Dinamarca também negaram oferta de ajuda.
Além de negativas, o país tem recebido respostas duras da comunidade
internacional. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a alta
comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediram que a
Uganda revogue a lei.
Já os EUA, na figura do secretário de
Estado John Kerry, compararam a lei que criminaliza as relações
homossexuais com as políticas antissemitas da década de 1930 da Alemanha
nazista e a segregação racial do "apartheid" imposta pela minoria
branca na África do Sul até 1990. Mais do que isso, os americanos
informaram que irão rever o trato com a Uganda.
"O enfoque dessa
legislação poderia ser mudado para judeu, ou negro, e poderia estar na
Alemanha de 1930, ou na década de 1950-60 do Apartheid da África do
Sul", disse Kerry para um grupo de jornalistas em Washington, e
classificou a atitude do presidente ao assinar o projeto como "imoral".
(Com agências internacionais).
FONTE: UOL
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